SINOPSE
Manuel Pereira de Melo, o “Mané Galego”, o hóspede da Casa de Lampião. Nasceu no Sítio Saúde, em Batalha, Alagoas, e de lá recorda-se de sua infância, onde petecou, pescou piabas e mergulhou inúmeras vezes no Rio Ipanema. Hoje, mergulha seus pensamentos no rio abundante da saudade.
Aos sete anos, perdeu sua mãe, uma mulher que administrou a propriedade da família com altivez e derramou enxurradas de amor sobre sua vida. Foi criado por sua tia Maria do Carmo e por sua irmã Maria dos Prazeres Pereira, de quem continuou a receber os ensinamentos e o amor materno.
Em sua infância, Lampião e seu bando aterrorizavam as cidades nordestinas. Em sua terra natal, por duas vezes, dormiu ao lado de familiares sob um frondoso umbuzeiro, com medo das investidas dos cangaceiros. Aquele saudoso abrigo recebeu o nome de Casa de Lampião, enquanto outra árvore da mesma espécie na propriedade recebeu o nome de Casa de Corisco, onde ele e outras pessoas acampavam com medo desse outro grupo de cangaceiros.
Em 1950, chegou a Arapiraca e foi morar no Sítio Poço Frio, comunidade fundada nas últimas décadas do século XIX; atualmente, é o bairro Zélia Barbosa Rocha. No Poço Frio, nas imediações da Avenida Norte, nos fundos da Escola Estadual 30 de Outubro — fundada em 1952 —, com garra e ao lado de sua esposa Maria Luísa de Melo, trabalhou a terra no cultivo do fumo. No mesmo ano, conseguiram uma boa produção, a ponto de pagar o terreno adquirido a prazo.
Era um lugar tomado por belezas diversificadas, todas oriundas da natureza caprichosa. Em 1954, foi morar na Rua Rio de Janeiro, em um lote comprado de Antônio Leão, e lá ganhou a vida na produção de fumo e no enrolamento deste produto. Segundo ele, a igrejinha da Praça dos Curis, nesta época, ainda não tinha sido construída, e Pedro Curi era um dos patriarcas da família Curi, que ainda hoje habita o lugar.
Em 1968, foi morar na Rua Possidônio Nunes e logo estreitou laços com os Nunes de Albuquerque. Trabalhou com Helena Nunes de Albuquerque, proprietária de terras na antiga Fazenda Caititus, parte da Mata da Teodora Nunes de Albuquerque — atual bairro de Santa Edwiges, onde ele reside atualmente.
Há sete décadas, Manuel Pereira de Melo vem construindo sua história de honestidade e, com sua força, tornou-se uma das raízes de Arapiraca.
FICHA TÉCNICA
Idealização e direção Ricardo Nezinho | Entrevistado Arapiraquenses, 6ª Edição | Entrevistador Aldo CS | Local da gravação Arapiraca/AL | Data de Lançamento 17 de outubro de 2021 | | Produção executiva Ricardo Nezinho, Sandro Ferreira, José Sandro, Aldo CS, Davi Salsa | Historiador José Sandro | Diretor de Produção Aldo CS | Filmagem e Fotografia Sandro Ferreira | Técnico de som Sandro Ferreira, Cledivaldo de oliveira | Colaboradores Isve Cavalcante, Fábio Barros, Bruno Nunes, Suely Mara Lins Melo | Projeto gráfico Duende CS | Trilha de abertura Marcos Sena, Jovelino Lima | Artista plástico Marcelo Mascaro.